
Hoje, eu falarei do álbum por onde eu comecei a ouvir e amar o Yes, 90125 de 1983.

Com a dissolução do Yes, após o excelente Drama (1980) Chris Squire buscou novos caminhos ao trabalhar com o guitarrista Trevor Rabin na criação da banda Cinema, alem de recrutar o veterano Tony Kaye para os teclados.
Com tudo certo e as bases gravadas, eis que o velho amigo Jon Anderson aparece no estúdio e gosta das gravações, convencendo Squire a gravar sob o antigo nome.
Em 1983 para choque dos puristas do rock progressivo, 90125 é lançado, tornando-se um sucesso mundial.
O nome esquisito do álbum, nada mais é que o numero do lançamento no catálogo da Atlantic. Quem possui o disco pode matar a curiosidade e conferir a numeração.
O som foi totalmente reformulado com uma pegada pop/prog, não havia sentido para faixas de 10 ou 15 minutos em pleno anos oitenta.
A complexidade acabou dando espaço a uma base simples, com ênfase na guitarra, novidade que deu a luz a “Owner of a Lonely Heart”, um clássico instantâneo e também o maior sucesso comercial do Yes. A marcante linha de baixo foi criada por Trevor Rabin, assim como outras de 90125.
“Hold On” é um ótimo hard rock na linha AOR, com bons licks de guitarra.
“It Can Happen” tem sua introdução influenciada pela música oriental, com as guitarras sintetizadas emulando o som de cítara, encontrando seu caminho no pop novamente.
A quebradeira inicial de “Changes” engana, é uma questão de analisar os tempos do riff (pois são apenas 4 notas) não é tão complicado quanto parece, o segredo esta no tempo.
A parte principal é cantada por Trevor e no refrão apoiada por Jon Anderson.
Na instrumental e progressiva “Cinema”, o baixo pesado e cheio de efeitos, retoma os bons tempos. Chris Squire deixou o Rickenbacker de lado e investiu num Tobias Verde de 5 cordas.
As modulações e brincadeiras vocais são marcas registradas no Yes, via de regra funcionando como instrumento. E na maravilhosa “Leave It” a suave interação vocal em conjunto com os teclados na parte do refrão, dão um sabor especial a canção.
“Our Song” é a cara dessa fase compacta, com Trevor Rabin dando um frescor mais rocker ao grupo. Enquanto “City of Love” surpreende pelo peso.
A tônica da balada “Hearts” são os teclados e a bateria. Tony Kaye nem de longe possui a bagagem e a técnica de um Rick Wackeman, entretanto fez um ótimo trabalho, emulando vários timbres em “Hearts”, encerrando bem essa nova etapa do Yes.
Resumindo é um álbum estranho se você gosta do Yes dos anos 1970, mas se você gosta do Yes dos anos 1980, esse é o melhor álbum de longe.
Fim da review
Álbum 96/100
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