
Hoje, eu falarei do álbum do Rush, considerado um dos melhores da banda, Hemispheres lançado em 22/09/1978.

Embora eu deva confessar que o épico de abertura não seja exatamente perfeito como de outros discos da banda, é completamente impossível não classificar um álbum deste como um clássico absoluto.
Qualquer menção menor que essa eu iria sentir que estaria cometendo uma heresia. Hemispheres representa o trio canadense no auge da sua complexidade e ápice do seu período mais progressivo. A sonoridade encontrada em todo o álbum é bastante profunda, densa, forte e clara, além de uma execução perfeita dos três músicos. Neste período um dos trunfos da banda estava sendo a adição de teclados em suas músicas, onde Lee construía uma grande variedade de atmosferas através dos sintetizadores típicos da época, que podem ser e soar cafonas, bregas, ou cringe.
O disco começa através da faixa “Cygnus X-1 Book II”. Uma faixa excelente e que completa a narrativa iniciada no disco anterior A Farrewel to Kings. Começa com um prelúdio atmosférico que logo se transforma em um rock bastante encorpado. Como eu disse mais acima, este não é um épico exatamente perfeito por um motivo, às vezes ele não parece ser bastante diversificado, algumas partes tendem a aparecer mais do que o necessário. Porém isso não é o suficiente pra que seja tirada a sua excelência, qualidades não lhe faltam, a bateria de Peart nesta música, por exemplo, provavelmente seja uma das mais criativas da sua carreira, passagens de guitarras muito bem desenvolvidas e linhas de baixo como sempre nítidas e quase hipnotizantes. Um clássico do rock progressivo.
“Circumstances” é uma daquelas músicas que é excelente, mas que por algum motivo parece bastante esquecida. As notas atingidas por Geddy aqui podem soar irritantes para os que não se dão muito bem com a sua voz, mas para os que gostam, elas soam no limite. As linhas de baixo é um dos maiores valores que a música tem, mas a bateria e guitarra também contribui com muita avidez cada canto da canção que lhes são atribuídas à função. Gosto de destacar também a parte instrumental quando a banda cai pra uma sonoridade mais serena e de bela atmosfera liderada por teclados nesse álbum.
Genial tanto instrumentalmente quanto liricamente, não existe uma maneira melhor pra definir “The Trees”. Tudo dentro dela está colocado de maneira perfeita, a atmosfera criada, a musicalidade, as letras são colocadas de uma forma metafórica com isso, acaba que a quantidade com que as pessoas possam interpretá-la também venha a variar bastante, incluindo algumas chegando a achar que se trata de uma música racista. Riffs de guitarra incríveis, linhas de baixo magistrais e uma delícia de bateria. Mais um momento sensacional do disco onde tudo segue normalmente.
“La Villa Strangiato” é umas das minhas músicas instrumentais preferidas dentro da música como um todo, junto com YYZ, também do Rush, presente no álbum Moving Pictures (1981) e The Great Gig In The Sky, do Pink Floyd (1973). Ela não está isoladamente no posto, mas se eu faço uma lista do tipo, ela segue sendo um dos nomes que figuraria em primeiro do mesmo jeito. Sua maior parte foi feita baseada em um sonho que Lifeson teve e que de alguma forma se transformou em um épico instrumental. Os riffs de guitarra são bastante criativos e abstratos, assim como as surpreendentes e interessantes linhas de baixo e os sintezadores tocados por Geddy Lee, apenas perfeitos.
A bateria na seção denominada “Monsters” é bastante jazzística e com tons de Reggaeton. A maneira como esta musica flui e se desenvolve pode ser usado como conceito de perfeição.
Um disco de menos de quarenta minutos onde muito é subtraído em cada uma de suas novas audições. Apesar de ter aparecido em um momento perigoso para quem fazia rock progressivo, conseguiram figurar no Top 100 das paradas americanas (Billboard), ocupando a posição de número 47.
Esta inquietação do Rush fez com que eles se mantivessem originais, influentes e relevantes em uma época que a cena progressiva cambaleava. Apenas um dos melhores álbuns do Rush, forçando muito a barra, um dos melhores álbuns da história.